"Chega-se a ser grande por aquilo que se lê e não por aquilo que se escreve." Autor: José Luís Borges
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08 maio, 2013
09 abril, 2013
Casa Museu Ferreira de Castro
Um grupo de professores da nossa escola, E. B. 2, 3 Ferreira de Castro, visitou a Casa Museu Ferreira de Castro, tendo realizado o filme que aqui apresentamos.
25 maio, 2012
24 maio, 2012
Ferreira de Castro
Passaram 114 anos sobre o nascimento de Ferreira de Castro. Hoje, 24 de Maio foi dia de lembramos quem é o nosso patrono.
Clica em Ferreira de Castro e completa o questionário.
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18 abril, 2012
Historial da Velha Mina (1)
«Havia ainda alguma tolerância, embora cada vez mais rara e encolhida, quando em 1928 ou 1929 as toupeiras da Mina de São Domingos enviaram ao jornal um apelo deseperado. Nas galerias deficientemente entivadas, eram constantes os acidentes, a morte fazia parte daquelas sombras bailantes que as lanternas iam criando à frente dos homens, no chão, nas abóbadas e nas paredes enquanto eles laboravam. E, cá fora, os mineiros e suas famílias viviam em fabulosa miséria.
Adelino Mendes redigiu o artigo. E por esse acolhimento estimulados, os homens voltaram a escrever. Pediam que o jornal mandasse alguém à mina - eu, se possível - para verificar com os seus próprios olhos os perigos a que eles se aventuravam todos os dias.
João Pereira da Rosa deu-me a ler a carta. Vozes subterrâneas, vindas de longe, clamores de socorro, que me atraíam solidariamente, a certa altura formulavam, de modo imprevisto, um ingénuo romance policial. Quem quer que lá fosse, devia seguir as instruções secretas ali confidenciadas. Devia fingir-se de caixeiro-viajante de cabedais, com maleta e mostruário, pois seria espionado pelos vigias da empresa britânica desde que tomasse a camioneta em Beja, até que a Beja regressasse.»
in Fragmentos, Ferreira de Castro
11 julho, 2011
Ferreira de Castro
No dia 24 de Maio festejámos a escola e o nosso patrono Ferreira de Castro, com muita alegria e animação, em todas as escolas do Agrupamento.
Da sua vasta obra, desta vez, destacamos "Emigrantes", que foi lida pelos alunos dos oitavos anos, turmas D e H.Para nos falar sobre ela, tivémos a presença do Dr. Ricardo Alves, Director do Museu Ferreira de Castro.
Foi muito interessante verificar que a procura de melhores condições de vida, continua a ser a principal causa que leva tanta gente a deixar a sua terra.
Da sua vasta obra, desta vez, destacamos "Emigrantes", que foi lida pelos alunos dos oitavos anos, turmas D e H.Para nos falar sobre ela, tivémos a presença do Dr. Ricardo Alves, Director do Museu Ferreira de Castro.
Foi muito interessante verificar que a procura de melhores condições de vida, continua a ser a principal causa que leva tanta gente a deixar a sua terra.
11 maio, 2011
Dia da Escola
É no dia 24 de Maio que celebramos mais um Dia da Escola, dia em que nasceu Ferreira de Castro.
Para saberes mais sobre a biografia do nosso patrono clica AQUI
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06 maio, 2011
Emigrantes - Ferreira de Castro
A DECISÃO
Manuel da Bouça não respondeu. Chegou o mocho para a janela e sentou-se a olhar os campos, cada vez mais soturno, mais enfronhado em severidade.
- Que tens, homem? Anda! Fala! Tu não estás bom...
Como a mulher ficasse de braços arqueados e as mãos na cintura, a olhá-lo interrogativamente, ele voltou-se e disse, mastigando as palavras:
- Está tudo resolvido... Vou... Vou até o Brasil...
- Tu?...
O silêncio dele, pesado, dramático, inquietou-a ainda mais. Ela começou a chorar. Depois:
- Deolinda! Deolinda! Minha filha!
A rapariga surpreendida por aqueles gritos, surgiu na porta da cozinha.
Mal a viu, Amélia correu ao seu encontro e abraçou-a, enchendo-lhe de lágrimas as faces e a mão:
- Ele sempre vai! Ele sempre vai!
- Ah! - e Deolinda principiou também a choramingar.
Manuel da Bouça ouviu-lhe os soluços durante alguns momentos; depois ergueu-se com atitude de mau humor.
- Basta de choradeiras! - exclamou. - Nem que o Mundo fosse acabar... Já se viu uma coisa assim?
Amélia obedeceu-lhe e as suas lágrimas começaram a deslizar em silêncio.
Ele contemplou-a com arrogância e continuou:
- É isto! É isto! As mulheres da Frágua estão acostumadas a trazer os homens debaixo das saias... Como se fosse coisa nunca vista alguém ir pró Brasil! Aqui é que não se governa a vida.
(Página 23, Guimarães Editores)
Manuel da Bouça não respondeu. Chegou o mocho para a janela e sentou-se a olhar os campos, cada vez mais soturno, mais enfronhado em severidade.
- Que tens, homem? Anda! Fala! Tu não estás bom...
Como a mulher ficasse de braços arqueados e as mãos na cintura, a olhá-lo interrogativamente, ele voltou-se e disse, mastigando as palavras:
- Está tudo resolvido... Vou... Vou até o Brasil...
- Tu?...
O silêncio dele, pesado, dramático, inquietou-a ainda mais. Ela começou a chorar. Depois:
- Deolinda! Deolinda! Minha filha!
A rapariga surpreendida por aqueles gritos, surgiu na porta da cozinha.
Mal a viu, Amélia correu ao seu encontro e abraçou-a, enchendo-lhe de lágrimas as faces e a mão:
- Ele sempre vai! Ele sempre vai!
- Ah! - e Deolinda principiou também a choramingar.
Manuel da Bouça ouviu-lhe os soluços durante alguns momentos; depois ergueu-se com atitude de mau humor.
- Basta de choradeiras! - exclamou. - Nem que o Mundo fosse acabar... Já se viu uma coisa assim?
Amélia obedeceu-lhe e as suas lágrimas começaram a deslizar em silêncio.
Ele contemplou-a com arrogância e continuou:
- É isto! É isto! As mulheres da Frágua estão acostumadas a trazer os homens debaixo das saias... Como se fosse coisa nunca vista alguém ir pró Brasil! Aqui é que não se governa a vida.
(Página 23, Guimarães Editores)
06 novembro, 2010
CAPAS DOS LIVROS DE FERREIRA DE CASTRO
Neste link, podes conhecer melhor Ferreira de Castro e toda a sua obra: http://www.ceferreiradecastro.org/silas/emigrantes.htm
06 outubro, 2010
A Selva, de Ferreira de Castro (1930)
"Eu devia este livro a essa majestade verde, soberba e enigmática, que é a selva amazónica, pelo muito que nela sofri durante os primeiros anos da minha adolescência e pela coragem que me deu para o resto da vida. E devia-o, sobretudo, aos anónimos desbravadores, que viriam a ser os meus companheiros, meus irmãos, gente humilde que me antecedeu ou acompanhou na brenha, gente sem crónica definitiva, que à extracção da borracha entregava a sua fome, a sua liberdade e a sua existência. Devia-lhes este livro, que constitui um pequeno capítulo da obra que há-de registar a tremenda caminhada dos deserdados através dos séculos, em busca de pão e de justiça.
A luta de cearenses e de maranhenses nas florestas da Amazónia é uma epopeia de que não ajuíza quem, no resto do Mundo, se deixa conduzir, veloz e comodamente, num automóvel com rodas de borracha - da borracha que esses homens, humildemente heróicos, tiram à selva misteriosa e implacável."
Ferreira de Castro, Pórtico, in "A Selva"
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