A Biblioteca Escolar Ferreira de Castro tem patente nestes meses de março e abril, a Exposição Lugares de Memória da Escravatura e do Tráfico Negreiro. O Comité Português do projeto da UNESCO “A Rota do Escravo” produziu esta exposição , que visa promover junto de públicos diversificados o conhecimento das problemáticas da Escravatura e do Tráfico de Escravos no mundo.
Grupos/turmas de 2º e 3º ciclos visitam esta exposição nas disciplinas de História e de Cidadania.
A emergência e a expansão da escravatura africana e do tráfico negreiro continuam, ainda hoje, a suscitar debate e reflexão. Este fenómeno histórico, marcado por uma violência extrema, moldou profundamente as relações entre o continente africano e outras regiões do mundo, como a Europa, a América e a Ásia.
Ao longo de séculos, esta realidade revelou tanto a crueldade humana como a capacidade de resistência e de memória. Dela nasceram múltiplos “lugares de memória”: monumentos, nomes de lugares e de povos, histórias transmitidas oralmente, contos, lendas e mitos. Estes elementos constituem um património vivo, continuamente reinterpretado pela memória coletiva.
Esta exposição propõe-se dar a conhecer esses lugares de memória nos países africanos de língua portuguesa. O seu objetivo é identificar, inventariar e mapear diferentes formas de memória — desde as mais visíveis e materiais, como edifícios e objetos, até às expressões imateriais preservadas pela tradição oral, que mantêm viva a criação cultural.
Nos territórios africanos, todos os espaços — aldeias, caminhos, florestas e rios — são habitados por vestígios do passado. As palavras, os objetos e os monumentos recordam a complexidade da condição humana, evocando tempos em que homens venderam outros homens, seus semelhantes, ou foram privados da sua liberdade e submetidos à escravatura.
Os lugares de memória não se limitam, por isso, aos grandes monumentos. Incluem também manifestações mais discretas, mas igualmente significativas, que permitem às comunidades — sejam elas locais, regionais, nacionais ou continentais — reencontrar a sua identidade e afirmar a sua capacidade de construir o futuro. Estes lugares convidam à reflexão sobre os percursos históricos e à compreensão do passado como base para a transformação do presente.
Inventariar e valorizar estes lugares de memória é, assim, um ato essencial. É através desse trabalho que se reconhece a história africana no quadro universal dos direitos humanos, tornando incontornável a memória do sofrimento causado pela escravatura e pelo tráfico negreiro, e reforçando o compromisso de nunca o esquecer.












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