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23 maio, 2018

Terra Nativa


No passado dia 22 de maio a Biblioteca Escolar Ferreira de Castro teve o prazer de proporcionar à comunidade educativa, a conferência proferida pela Doutora Ana Cristina Carvalho sobre a Natureza e Paisagem Humanizada na escrita de Ferreira de Castro. Nada mais a propósito desta Biblioteca Escolar e do agrupamento a que pertence, que uma excelente apresentação sobre Ferreira de Castro numa perspectiva inovadora.



Tivemos como apresentador da oradora e seu trabalho, a grata presença do diretor do Museu Ferreira de Castro em Sintra, o Dr. Ricardo Alves, que para além de grande especialista da obra de Ferreira de Castro, é um entusiasta da relação do museu com os alunos e professores das nossas escolas.


Foi uma conferência de grande valor para as dezenas de  professores presentes que puderam perceber como a obra de Ferreira de Castro para além de integração curricular ao nível da literatura, pode ser explorado ao nível curricular  pela Biologia, Geografia, História, entre outras disciplinas.

Terra Nativa –
Ana Cristina Carvalho

RESUMO

Esta investigação visou contribuir para o estudo da permeabilidade entre Ciência e Arte, explorando, nomeadamente, o diálogo frutífero entre a Ecologia clássica, a Ecologia Humana e a Literatura Portuguesa.
Recorreu-se a uma metodologia híbrida que integrou métodos e fontes das Ciências do Ambiente, das Ciências Sociais e da Análise Literária, cujos graus de objetividade variam entre si.
O objetivo geral foi analisar a representação literária da Natureza e do vínculo de interdependência que o ser humano estabelece com ela na obra de Ferreira de Castro, e determinar em que medida essa representação irradiou da personalidade e da ideologia do escritor, assim como da sua experiência de vida em diferentes ambientes geográficos.
Para tal, numa primeira fase construiu-se uma “Ecobiografia” castriana, que averigua a sua conceção pessoal sobre a Natureza, com base em 140 textos castrianos não ficcionais. Uma segunda fase dedicou-se à ecocrítica de quatro textos de ficção com cenários em áreas rurais de Portugal continental, escritos entre 1928 e 1947: Emigrantes (1928), “O Natal em Ossela” (1933), Terra Fria (1934) e A Lã e a Neve (1947).
Defende-se que, num tempo anterior ao movimento ecológico português, esses textos continham já um significativo teor eco-humano. Apresentam, por isso, um grande potencial de difusão do ambiente biofísico e das modalidades relacionais que o ser humano instituiu com a terra numa época, revelando-se um valioso contributo para a História Ambiental do território português.
Esta função extra-artística projeta-se nas gerações leitoras do presente e do futuro e pode atuar em benefício da consciência ambiental e de cidadania neste século XXI. Razão por que é devido à obra castriana um novo lugar na Cultura portuguesa, mais além e mais amplo que a sua aplaudida dimensão literária.

Ana Cristina L. M. de Carvalho é natural de Lisboa, onde nasceu em 1961, e reside no concelho de Sintra.
É Engenheira do ambiente, licenciada pela Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade Nova de Lisboa.
Em 1986 ingressou nos serviços centrais do então Serviço Nacional de Parques, Reservas e Conservação da Natureza (hoje Instituto da Conservação da Natureza e Florestas), onde durante 12 anos trabalhou em equipas multidisciplinares na área da informação e divulgação ambientais e na temática geral das áreas protegidas.
Em 1997 transitou para o Parque Natural de Sintra-Cascais, onde ficou até 2009, tendo aí coordenado vários grupos de trabalho e o Setor de Informação e Educação Ambiental.
É Mestre em Ecologia Humana e Problemas Sociais Contemporâneos pela Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa, com uma tese sobre a Vulnerabilidade Humana às Alterações Climáticas.
Em 2015 doutorou-se em Ecologia Humana na mesma universidade, apoiada por uma bolsa da Fundação para a Ciência e Tecnologia, com uma investigação sobre a simbiose entre Literatura e Ecologia, concretamente na obra canónica ficcional de Ferreira de Castro.
Investigadora do CICSNova – Centro de Estudos Interdisciplinares da Universidade Nova de Lisboa, desde 2009 que é professora auxiliar convidada da cadeira de Sociologia do Desenvolvimento e Sustentabilidade do Departamento de Sociologia.

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