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15 março, 2017

História da Farmácia

Alguns professores da disciplina de físico química organizaram para turmas de 7º ano uma visita de estudo no mês de março ao Museu da Farmácia em Lisboa. A coordenadora da Biblioteca Escolar Teresa Duarte Costa e a professora de físico química Isabel Oliveira visitaram antecipadamente o Museu da Farmácia com o objetivo de preparar a visita de estudo e a intervenção da biblioteca escolar na cooperação com a mesma. A Biblioteca Escolar na sua função de apoio ao currículo elaborou sessões de introdução à história da farmácia que apresentou a nove turmas de 7º ano e a uma de 9º ano, de 6 a 13 de março.




As sessões de apresentação da história da farmácia aos alunos na Biblioteca Escolar teve como um dos seus objetivos demonstrar que a farmácia tem uma longa história e que remonta à origem do homem, e que à semelhança dos animais o instinto conduziu o homem primitivo a procurar e a distinguir plantas e substâncias de origem animal e mineral, como remédio para combater a doença.

Relacionando estas sessões com as aprendizagens dos alunos na disciplina de História, os alunos percecionaram como na pré-história a doença e o seu tratamento pertenciam ao mundo dos espíritos e os feiticeiros e curandeiros preparavam remédios e poções.


Deste modo os alunos foram sendo introduzidos ao Mundo Antigo onde existia uma forte ligação entre a medicina, a farmácia e a religião, em que recitações, cerimónias, rezas e sacrifícios eram os meios religiosos vulgares para implorar aos deuses a cura.

Relacionando a disciplina de história de 7º ano e os conteúdos sobre o Antigo Egito, os alunos puderam perceber que as substâncias terapêuticas provinham do reino vegetal, animal e mineral. Na sua preparação e administração estavam também enraizadas as práticas religiosas e mágicas da época.


PAPIRO EBERS  arrola 700 drogas que serviam para tudo, 
desde mordedura de cobra até febre infantil.

No Antigo Egito os ingredientes, drogas, perfumes, unguentos, pomadas, poções, cataplasmas, clisteres, supositórios, etc., são bem exóticos. Exemplo : água suja de lavagem de roupa para dores da nuca e dos olhos ; excremento de pelicano ou de crocodilo para a cura da catarata. ( NORMAN -  "Medical History of Contraception" )


Ainda na relação com o currículo da disciplina de História os alunos puderam relacionar o que aprenderam sobre a Civilização Grega e a História da Farmácia e constataram que a grande conquista da medicina grega foi a sua procura de bases naturais para explicar a doença, as suas causas e tratamento. A medicina e a farmácia, não eram baseadas na religião e na magia ou superstição.


O maior guia farmacêutico da antiguidade é o de Pedanius Dioscórides, que viveu no século I da era cristã, e cujo tratado "De Matéria medica" (50 – 70 A.D.) foi considerado, a maior autoridade em medicamentos. A obra de Dioscórides pode ser considerada como o início das ciências  da farmacologia.


Galeno (131-200 d.C.) “Pai da Farmácia”, sistematizou pela primeira vez, as matérias-primas necessárias à preparação dos medicamentos e a sua específica preparação, como nunca tinha sido feito. 
Nestas sessões na Biblioteca Escolar os alunos foram sendo levados a perceber como surge a farmácia e a ciência farmacêutica introduzidos na civilização romana onde na Roma Antiga já existiam profissionais especializados como os "pharmacopoei", fabricantes de remédios; os "pharmacotritae", ou "pharmacotribae", trituradores de drogas; os "unguentarii", ou os fabricantes de unguentos. 


Os árabes trouxeram uma nova identidade à farmácia com uma literatura profissional incluindo os formulários para uso dos farmacêuticos ou outros preparadores de medicamentos. Pela primeira vez temos a farmácia ligada à alquimia o que fez surgir uma série de instrumentos próprios da futura química.


A primeira farmácia surge em Bagdade, entre 775-785, com um responsável farmacêutico "-al-sayãdilah".


Estas sessões na Biblioteca Escolar juntaram o currículo de História com o de Físico-química no decorrer da história da farmácia.

Passando pela Idade Média e o seu regresso às crenças religiosas e à medicina popular, chegamos à promulgação em 1240, por Frederico II, Rei da Sicília e imperador germânico, da famosa Magna Carta da Farmácia, que separa a farmácia da medicina e legalmente reconhece a profissão farmacêutica.


Do Renascimento os alunos conheceram Paracelsus (1493-1541),que defendeu que a doença era uma manifestação natural, logo química e deste modo teria que ser tratada quimicamente.


Navegando ainda pelo Renascimento os alunos conheceram o contributo dos Descobrimentos para a farmácia moderna.

O farmacêutico do século XVII tornou-se assim um químico (e também um botânico) e a oficina farmacêutica transformou-se num laboratório químico, onde os processos de destilação, evaporação, incineração, sublimação  eram postos em prática.


Passando pelos fundamentos da química moderna lançados por Lavoisier, entrámos no século XIX e nos avanços da industrialização do medicamento.

A matéria-prima sintética do medicamento, os avanços na microbiologia, procedimentos assépticos, a terapêutica e a medicina preventiva com a introdução dos soros e das vacinas, foram outros assuntos debatidos nestas sessões na Biblioteca Escolar.

A era dos antibióticos, a descoberta da penicilina e da estreptomicina, a medicina preventiva e o retorno ao uso de substâncias naturais marcam o século XX.

Com estas sessões de preparação da visita de estudo ao Museu da Farmácia, os alunos tomaram conhecimento da evolução do medicamento e processos de cura que foram dos reinos vegetal, mineral e animal, até às substâncias químicas altamente complexas, e que permitiu a demonstração de toda a evolução do conhecimento humano na área da saúde e medicação.

O ppt exibido aos alunos feito pela Biblioteca Escolar utilizou como principais recursos, os seguintes sites:

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