Na Biblioteca Escolar Ferreira de Castro esteve patente ao público a exposição Ex Libris: Livros, Arte e Coleção, em novembro e dezembro, dedicada ao vasto acervo reunido por Hélder Duarte. Ao longo de várias décadas, o colecionador estabeleceu intercâmbios com apreciadores de diferentes países, reunindo uma coleção marcada pela diversidade e pelo valor artístico. Parte desse espólio foi apreciado, incluindo exemplares cuja origem remonta à década de 1950.
A exposição esteve aberta a toda a comunidade escolar e constitui uma importante fonte de inspiração para as turmas do 8.º e 9.º anos, desafiadas a criar o seu próprio Ex Libris.
O Ex Libris é uma insígnia ou etiqueta colocada no interior de um livro com o objetivo de identificar o seu proprietário, funcionando como marca de pertença. Criar um Ex Libris representa um gesto de apropriação positiva: ao inscreverem a sua marca num livro, os alunos reconhecem-no como um objeto de valor, merecedor de cuidado e atenção. Esta ligação promove o respeito pelo livro e pelo património partilhado, ao mesmo tempo que desenvolve competências como a responsabilidade, a organização e a consciência da importância da preservação do livro enquanto fonte duradoura de aprendizagem.
Para além do seu conteúdo, o livro constitui também uma experiência sensorial — o toque do papel, o peso, o cheiro, o som das páginas a virar. Valorizar o livro enquanto objeto físico contribui para uma relação mais afetiva com a leitura, despertando prazer, curiosidade e respeito pelos materiais de aprendizagem. Esta dimensão concreta favorece a criação de vínculos emocionais positivos, fortalecendo hábitos leitores e tornando o processo educativo mais humano.
Durante a visita, os alunos puderam observar que um Ex Libris pode assumir a forma de desenho, brasão, símbolo ou composição artística, concebidos com grande cuidado estético para representar a identidade pessoal, familiar ou institucional do proprietário do livro. Integrado numa longa tradição de valorização e preservação do livro, o Ex Libris tem sido utilizado ao longo dos séculos como expressão de ligação, apreço e responsabilidade sobre uma biblioteca pessoal.
Os alunos foram incentivados a produzir o seu Ex Libris em Educação Visual, após uma aula introdutória dada pela professora bibliotecária, no projeto O meu Ex Libris.
Incentivar o gosto pela leitura é abrir aos alunos uma porta privilegiada para o conhecimento. A leitura desenvolve a capacidade de compreender o mundo, amplia o vocabulário e estimula a curiosidade natural. Quando a escola promove um contacto regular e prazeroso com os livros, de forma intelectual e física, contribui para a formação de leitores autónomos, capazes de pesquisar, questionar e construir pensamento crítico. Cultivar este gosto desde cedo constitui um investimento sólido na aprendizagem futura.
Com a prática artística, os professores de Educação Visual permitem que os alunos comuniquem ideias e sentimentos que, muitas vezes, não encontram facilmente expressão através da linguagem verbal, e com a criação de Ex Libris, nesta parceria com a biblioteca escolar, a representação visual de um auto conhecimento abre-se a cada aluno.