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29 outubro, 2012

Instinto Supremo

 

capa instinto supremo

“Com os remos a chapejarem surdamente, cautelosos como os dos ladrões, nas proas um ruído fino, menor ainda que o dos boto cortando a tona da água, as canoas meteram a terra. (…)” Assim começa o romance “Instinto Supremo” de Ferreira de Castro.

No capítulo II, vamos poder ler a carta de Dona Tarsília para o seu esposo, Sr. Bonifácio:

«Quando ontem, li, num jornal, que os Parintintins não estavam ainda civilizados porque são os índios mais ferozes do Amazonas, fiquei como louca.»«Tu não gostas de mim; se gostasses não terias ido para aí, terias ido para o Rio Branco, dirigir as fazendas do meu pai, e me levado contigo. (…)».

E no capítulo XII podemos seguir um diálogo entre os índios Parintintins e os homens do seringal Três Casas, na Amazónia:

«- Diz que os Parintintins já não estão pensando todos da mesma maneira, que muitos já deixaram as suas malocas e foram viver longe. Os que vieram deitar abaixo a porteira, foram embora na outra lua. Os que flecharam o banheiro e o batelão e outros que também andaram por aí atacando, foram ontem. Esses não têm confiança nos civilizados, não querem mudar de vida, querem ser selvagens mesmo. (…)

«- Ele diz que não tem confiança em nós, porque não damos rifles a eles… (espingardas)»

« – Diga que seu Amaro já explicou outro dia, mas que ele decerto não compreendeu. Se déssemos rifles, eles matavam a nós. E nós temos um chefe que não quer que se mate ninguém. Nem índios nem civilizados. O nosso chefe não quer mais guerras, quer ver todos os homens amigos, como irmãos. (…)».

Lê este livro e vem partilhar conosco a tua opinião sobre ele.

Podes ler um pouco da história dos índios Parintintins, neste endereço: http://pib.socioambiental.org/pt/povo/parintintin/912

Para saberes mais sobre as dificuldades por que passaram as tribos indígenas brasileiras consulta este endereço: http://www.webbrasilindigena.org/?page_id=258

Durante quatro anos, Ferreira de Castro viveu no Seringal Paraíso, na Amazónia. Em “Instinto Supremo” ele relata-nos a época da pacificação destes índios, que foi pedida pelo dono do Seringal Três Casas, Manuel Lobo, em 1922.

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