Blogue da Biblioteca Escolar da Escola Básica Ferreira de Castro - Sintra

Aqui partilhamos tudo o que acontece na nossa Biblioteca.

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08 outubro, 2020

CAMPANHA SOMOS TODOS RESPONSÁVEIS: Narnia




A Biblioteca Escolar Ferreira de Castro continua com a campanha SOMOS TODOS RESPONSÁVEIS.
Os nossos alunos identificam-se com as personagens dos livros que leram e que agora se assemelham a eles com máscaras de proteção. Uma brincadeira que nos lembra como devemos ser responsáveis pela nossa saúde e pela dos outros.


Agradecemos aos alunos a participação nesta campanha!
E continua...

07 outubro, 2020

O MUNDO INDUSTRIALIZADO NO SÉCULO XIX


A Biblioteca Escolar Ferreira de Castro surge como uma estrutura indispensável para coadjuvar os diferentes intervenientes na consolidação da aprendizagens e no esbater das diferenças, depois de um ano escolar atípico que foi o de 2019-2020, com a pandemia.

Deste modo a BEFC colabora com os docentes na criação e disponibilização de recursos que permitam às diversas disciplinas recuperar e consolidar aprendizagens.

A Biblioteca Escolar Ferreira de Castro na sua função de apoio ao currículo partilha desta vez recursos que se aplicam à disciplina de História de 9º ano para recuperação de aprendizagens relativas ao domínio de 8º ano, O MUNDO INDUSTRIALIZADO NO SÉCULO XIX.

A civilização industrial e a 
arquitetura do ferro


O avanço da industrialização pôs ao dispor da arte novos materiais, como o ferro, o vidro, o betão e o aço, e a sociedade burguesa soube colocar a obra de arte ao seu serviço. Surgiu então uma arquitetura renovada, a arquitetura do ferro, patente tanto em edifícios de caráter utilitário, como pontes, fábricas, estações de caminho de ferro, etc.

AQUI

 é possível ver um pequeno vídeo sobre a civilização industrial do século XIX.


A engenharia e a 
arquitetura do ferro


Completando o tema anterior pode ser visto aqui um documentário sobre a Exposição Universal de Londres de 1851 e Exposição Universal de Paris, de 1855, que ilustra bem o que foram as inovações na engenharia e arquitetura no século XIX.

                                                                           AQUI



A industrialização e os avanços da ciência e da técnica



O século XIX foi marcado por um progresso assinalável, no domínio das ciências e da tecnologia que se repercutiu largamente no modo de vida das pessoas. Mais do que nunca se acreditou no valor da ciência, capaz de gerar progresso e felicidade.

é possível descobrir como os avanços da técnica e da ciência no século XIX mudaram o quotidiano das populações.


Com a Biblioteca Escolar Ferreira de Castro 
podemos sempre aprender mais!

06 outubro, 2020

CAMPANHA SOMOS TODOS RESPONSÁVEIS: Divergente



A Biblioteca Escolar Ferreira de Castro continua com a campanha SOMOS TODOS RESPONSÁVEIS, transformando os nossos alunos em heróis, equiparados às personagens dos seus livros.



Mais uma vez agradecemos aos alunos que participam nesta campanha.
Continua...

05 outubro, 2020

ALFREDO KEIL: MAIS QUE O HINO NACIONAL


A historiadora Luísa Viana Paiva Bóleo revela-nos quem foi Alfredo Keil, para além do autor da música do Hino Nacional.

ALFREDO KEIL
Lisboa, 03-07-1850 — Hamburgo, 04-10-1907) 

A versão inicial deste texto foi publicada na revista Pública do Jornal Público de 5 de Outrubro de 1997. A presente versão, revista e atualizada pela autora, foi inserida no magazine sem fins lucrativos O Leme em 21 de Julho de 2006. 

Para a maioria dos portugueses Alfredo Keil significa apenas o nome do autor da música do Hino Nacional. Mas este português de origem alemã foi, além de compositor, também escritor, poeta, fotógrafo, pintor e coleccionador de obras de arte. 

O primeiro elemento da família Keil veio para Portugal em meados do séc. XIX. Chamava-se Johan Christian Keil, alemão de Hanover, exilado político, que em 1839 se estabeleceu em Lisboa, como alfaiate, aí passando a residir. Casado com Maria Josefina Stellpflug, de origem alsaciana, deram origem a uma família de artistas em várias áreas, principalmente na música e pintura. Deste casamento nasceu, no palácio de Barcelinhos, em 1850, aquele que viria a ser filho único do casal, Alfredo Cristiano Keil. 

Mestre alfaiate Christian Keil possuía duas alfaiatarias na Rua Nova do Almada e viria a ser o alfaiate do rei D. Luís e de boa parte da aristocracia e burguesia rica lisboeta. Porém a sua clientela estendia-se a outros países. Muitos clientes vinham a Lisboa mandar fazer os seus fatos, visitar a cidade e ficariam amigos deste alemão emigrado e bem relacionado. Johan Keil rapidamente se liga à alta finança internacional, investe em diversas Bolsas e adquire uma fortuna considerável, nomeadamente em títulos e imóveis a render, em Lisboa. 

O filho pôde assim ter urna educação de menino rico sem qualquer limitação nos seus estudos e viagens. Desde muito novo que Alfredo Keil mostrou um talento invulgar para a música, tendo, aos 12 anos, escrito a sua primeira peça musical com o título Pensé Musicale, que dedicou à mãe. 

Estudou no Colégio de Santo António e, em 1858, já tinha lições de música com António Soller. Em 1860, com apenas 10 anos, frequentava o colégio Britânico na Rua Vale de Pereiro, em Lisboa. Teve lições de piano com o famoso pianista húngaro Oscar de La Cinna. Em 1869 viajou com o pai pela Europa, passando por Madrid, Paris, Genebra, Zurique, visitando museus e monumentos e acabando por ficar em Nuremberga, para frequentar a Academia Real de Belas Artes. A Guerra franco-prussiana, em 1870, força-o a regressar a Portugal, onde frequenta então aulas de pintura com Miguel Luppi. Teve ainda como professores de música, António Soares e Ernesto Vieira, e aulas de desenho com o professor Joaquim Prieto, da Academia Real de Belas Artes. 

Em 1878 Keil concorreu à exposição de Paris com a tela “Melancolia”, que lhe valeu uma Menção Honrosa, e em 1879, recebeu a Medalha de Ouro na Exposição no Rio de Janeiro. Expôs também em Madrid com grande sucesso. 


Leitura da Carta, 1874, 
Museu Nacional de Arte Contemporânea do Chiado

Fernando Pamplona, no Dicionário de Pintores e Escultores, refere-se nestes termos à pintura de Alfredo Keil: «o seu romantismo discreto, amável, sem exageros é temperado pelo clima realista da pintura do tempo.» E elogia a «sensibilidade de contemplativo em que se adivinha a influência de Corot». Maria Luísa Bártolo, por sua vez, dirá que Alfredo Keil tem uma «maneira delicada de tratar as figuras femininas, nos pormenores do adorno, na suavidade cálida do interior.» 

Alfredo Keil casou, em 1876, com Cleyde Maria Margarida Cinatti, filha de um arquitecto e cenógrafo muito famoso na época, de nome Giuseppe Luigi Cinatti. O casal teve quatro filhos – Joana, Paulo, Guida e Luís. Joana morreu criança; Paulo morreu já adulto, sem filhos, Guida, que cursou Belas Artes e foi autora da obra «Carolina Coronado, poetisa romântica» (1960), tinha uma personalidade forte, para urna menina da sua época. Foi protagonista de uma aventura amorosa que parecia saída da pena de Camilo Castelo Branco, quando decide deixar marido e dois filhos para ir viver com o homem que amava. 

Curioso que o seu divórcio foi o primeiro após a implantação de República. Viria depois a casar com o amor da sua vida – Francisco Coelho do Amaral. O primeiro filho, Francisco Keil do Amaral, nasceu em Abril de 1910 e deu origem a uma “dinastia” de arquitectos de renome, que ainda são vivos. Francisco Keil do Amaral (pai) é marido da grande pintora e ilustradora Maria Keil, nascida em 1914. 

O quarto filho de Alfredo Keil, Luís, seguiu também na senda das artes tendo sido Conservador do Museu Nacional de Arte Antiga, Director do Museu dos Coches e Vice-Presidente da Academia Nacional de Belas Artes. Morreu tragicamente com a mulher e a única filha num desastre de automóvel, em 1947. E assim Alfredo Keil teve dos dois casamentos como descendente apenas a filha Guida, 

Compositor de paisagens e de sons 


Figuras em Jardim, 1875, 

Em 1874 já Alfredo Keil recebera duas medalhas por trabalhos de pintura expostos na Sociedade Promotora de Belas Artes, a que se somaram nos anos seguintes mais prémios, nomeadamente com as telas com os temas “Sesta” e “Meditação”. Este quadro viria a ser adquirido pelo Rei D. Luís. 

Em 1883 sobe ao palco, no Teatro Trindade, a sua ópera cómica em um acto, “Susana”, escrita em em italiano, e em 1884 escreve a cantata “Pátria”, seguindo-se, em 1885, o poema sinfónico “Uma Caçada na Corte” e, em 1886, “As Orientais”. 

Por Luísa Viana Paiva Bóleo


Um rebanho em Sintra, 1898,
Museu Nacional de Arte Contemporânea do Chiado