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23 janeiro, 2017

Clube de Leitura:Os Meus Problemas




No passado dia 20 de janeiro reunido o Clube de Leitura da Biblioteca Escolar Ferreira de Castro, foi tema de debate o perfil do povo português através da obra de Miguel Esteves Cardoso, Os meus Problemas. O humor acutilante acompanhado por um realismo de observação sociológica, caracterizaram pormenores e por maiores da personalidade coletiva dos portugueses.


"Miguel Esteves Cardoso foi um jornalista que durante os anos 80 e início dos anos 90, teve uma voz ativa na vida social portuguesa, quer enquanto simples cronista do “Expresso” e “Público”, quer mesmo, enquanto membro permanente na “Noite da Má Língua”, onde ele e uns tantos batiam e evidenciam vários “podres” da nossa sociedade.
Dono de uma forma de se expressar extremamente mordaz mas bem objectiva, Esteves Cardoso era bastante corrosivo na forma como elaborava as suas análises, quer aquelas proferidas no programa de tv, quer as outras que foi escrevendo para os jornais.
E são precisamente algumas dessas crónicas, nomeadamente algumas publicadas no “Expresso” entre 1986 e 1987, numa coluna chamada “Os meus problemas”, que compõe este livro que tem tanto de brilhante como de hilariante.
Assim, este livro é simplesmente um conjunto de crónicas onde Esteves Cardoso opina sobre a forma de estar, ver e agir do povo português, evidenciando as suas mais carismáticas manias e fobias, sempre num tom irónico e mordaz.
Começando por “Cartas portuguesas”, as “classes automóveis”, “libertação dos maridos”, “a fogueira do ciúme”, “adeus, ó tchau, vai-te embora”, enfim, acreditem é dos livros mais hilariantes e ao mesmo tempo, um livro que toca em vários defeitos do povo português. Pese embora as distâncias, um género de Woody Allen.
E é curioso constatar que não é necessário escrever-se livros sérios, estudos filosóficos do “ser português”, pois qualquer um em a capacidade de análise e de formar opinião, no entanto, Miguel Esteves Cardoso demonstra uma capacidade de análise que vai além dessa simplicidade, ele, para além de evidenciar alguns dos “nossos” defeitos, demonstra o quão ridículo e caricata são muitas das situações que se sucedem dia após dia e, mais importante, a gravidade e importância que se dão a essas situações."